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Thursday, June 26, 2008

 
E agora eu te pergunto, e AI?

Todo mundo que não entende computadores vive alternando entre "nossa! eu não sabia que podia fazer isso." e "mas como não pode fazer isso?". Não tem meio termo. E não é exatamente culpa das pessoas, é que... nhe, é culpa delas sim. A todos os ignorantes cibernéticos, eis a lei zero da computação, segundo este que vos digita, porque nunca vi declarada assim em outro lugar mas não me surpreendo se alguém já tiver dito antes.

O computador é a máquina mais burra que existe.


Pronto, falei. E não volto atrás. Todas as máquinas são burras, se não fossem seriam algum novo tipo de entidade senciente. quiçá consciente. Ou seja, o meu notebook de penúltima geração é tão esperto quanto o meu barbeador. Claro que eu posso usar o PC para muitas coisas mais que o barbeador, eu tenho uma imaginação meio fraca, mas a moral é a mesma: são dois pedaços de coisas que só fazem o que eu mando. E nada mais.

Até aí tudo bem, exceto que, como disse Paul Ehrlich, "errar é humano, pra estragar tudo você precisa de um computador". É simples, você tem lá o jeito certo de fazer uma coisa, e tem o jeito errado. Pergunta se o computador sabe a diferença? Você manda, ele faz. Daí a necessidade dos garotos de programa transformarem um elegante trecho de código em uma coisa enorme e feia para lidar com o inesperado. Trabalho nada fácil, dada a impressionante capacidade humana de fazer cagada errar.

E é aí que o famoso software, o "cérebro" do computador, tenta compensar. E como a gente quer ficar cada vez mais burro (pra que aprender a fazer contas se existe calculadora?), esses programas vão ficando cada vez mais inteligentes. O ideal seria se fossem telepatas, imagina chegar pro Google e conseguir o resultado certo ao buscar "aquele treco que o tio usou naquele filme pra ganhar a mina".

Ah, a tão sonhada AI, a inteligência artificial...

O usuário não sabe o que fazer? Não deixe ele fazer errado. Não deixe ele estragar nada. Sugira como fazer corretamente. Indique erros. Tudo com muito carinho, claro, imagina se alguém ia aceitar uma máquina burra lhe dizendo o que fazer. E bom gosto! Nada dessas palhaçadas de clipes falantes.

As técnicas de simular inteligência são muito interessantes, mas praticamente todas se baseiam no princípio treino/aproximação. Você treina o computador (fala! fala! isso, bom garoto, toma um biscoito de silício) e depois fala pra ele tentar aproximar as situações que ele não conhece. E, claro, só funciona para situações bem específicas.

Existem outras maneiras, mas a questão é que não é inteligência per se, não tem nenhuma lógica dedutiva ou indutiva. Suponha uma imagem, um computador certamente pode separar e até identificar os elementos da imagem: mosca, poça, calçada, farelo de pão, sombra da árvore, etc. Pode até ligar esses elementos a seus nomes e a coisas relacionadas: mosca - inseto, sombra - objeto - fonte de luz, etc. Se bobear ele até consegue te indicar pela angulação da sombra a posição do sol e, portanto o horário.

Mas duvido que te dirá que a mosca ficou parada tempo suficiente para o fotógrafo chegar perto e fotografar, não para mostrar seu novo modelito de verão, mas porque molhou as asas e não poderia voar.

Um resultado rápido para um problema difícil parece até inteligência, mas não é . Claro que pode ser extremamente útil (Lei de Boyd), mas só porque um computador é mais capaz (de repetir operações rapidamente) que um menino de três anos, não que dizer que ele seja inteligente (o computador, lógico).

Computadores são ferramentas fantásticas, mas só ferramentas, até que se programe o contrário.



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